Voltava para casa sozinha e admirava o céu noturno. Era lua cheia e nuvem alguma atrapalhava as estrelas. Comecei a pensar em como nós não damos atenção às coisas simples como essas. Estamos sempre tão "ocupados" com tudo e nos importando com coisas fúteis que não paramos para observar a beleza que se apresenta com humildade nos objetos que nos rodeiam.
Pensando nisso, tomei uma decisão: no dia seguinte eu largaria meu emprego. E não só isso, viajaria também o mundo com poucas coisas na mala. Um verdadeiro mochilão como sempre quis fazer. Provavelmente iria a lugares como Tailândia, Itália, Grécia... Experimentaria de tudo e viveria amores intensos mas momentâneos, sem muito planejamento. Eu tinha um dinheirinho guardado que era suficiente para as despesas que teria.
Devaneava pela rua, alienada a tudo, só eu, a lua e meus desejos. No entanto, fui obrigada a voltar à realidade quando dois homens em uma moto me pararam e anunciaram um assalto já na porta de casa. Obrigaram-me a entrar e abrir para eles. Pegaram tudo que conseguiram enquanto eu estava amarrada e assustada em um canto. Não satisfeitos com meus bens, violaram-me em minha própria cama. Não conseguia me mover tamanho choque e terror, apenas chorava silenciosamente. Os dois discutiam acerca de algo que eu já nem escutava quando um deles apoiou a arma em meu peito. Ouvi um tiro. O tiro que matou a mim e meus sonhos.
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