Estava de tarde olhando para o teto sem o que fazer quando me veio uma súbita vontade de dançar. Convivo com essa vontade noite e dia, entretanto naquele momento ela era mais forte, eu precisava dançar. Parecia um desejo exterior a mim de tão intenso, mas na verdade, é errado falar isso. Era um desejo interior, cravado bem fundo em quem eu sou. Sem a dança, não sou eu.
Passei a desconhecer aquela menina que tinha vergonha de estar no palco a partir do momento que descobri que era ali onde eu era mais feliz e mais realizada. Quando executo cada movimento com atenção e atitude é que vejo quem sou, o quanto eu me amo e o quanto eu sou capaz. É seguindo o ritmo da música que esqueço cada problema que já passei. Ou até mesmo sem música. Basta eu e a dança.
Então, naquela tarde, dancei. Dancei como se não tivesse outro dia. Dancei como se não sentisse dor. Dancei como se dependesse daquilo para sobreviver. E as vezes, acho que realmente dependo.
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